Já está disponível para as mulheres do Coroadinho, em São Luís, uma plataforma digital criada pela Casa das Pretas, espaço de atuação do Coletivo Mulheres Negras da Periferia. A ferramenta reúne informações sobre violência doméstica, orientações sobre direitos e acesso à rede de proteção, além de uma pesquisa anônima que busca compreender e mapear a realidade das mulheres do território que vivenciam situações de violência.
A iniciativa foi lançada nesta semana, no Poder Judiciário – Centro Administrativo do Tribunal de Justiça do Maranhão, e já está disponível para acesso.
Mais do que reunir informações, a iniciativa pretende produzir conhecimento sobre uma realidade que muitas vezes permanece invisível. Por meio do questionário, mulheres podem participar de forma totalmente anônima, sem informar nome, e-mail ou qualquer dado que permita sua identificação. As respostas vão contribuir para compreender melhor como a violência doméstica se manifesta no Coroadinho e quais são as principais necessidades dessas mulheres.
“Essa plataforma nasce de uma necessidade que a gente percebe no dia a dia. Muitas mulheres vivem situações de violência, mas nem sempre sabem identificar o que estão vivendo ou onde buscar ajuda. E, ao mesmo tempo, a gente precisa conhecer melhor essa realidade dentro do nosso território. A pesquisa é importante justamente para dar visibilidade a essas histórias e ajudar a pensar ações que façam sentido para as mulheres do Coroadinho”, afirma Jú do Coroadinho, vice presidente da Casa das Pretas.
O espaço digital apresenta conteúdos sobre violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, além de informações sobre a Lei Maria da Penha, o ciclo da violência, direitos das mulheres, medidas protetivas e formas de buscar atendimento. Também reúne perguntas e respostas sobre situações de violência e permite contato direto com a Casa das Pretas.
A plataforma ainda disponibiliza um caminho para iniciar uma conversa pelo WhatsApp com a Casa das Pretas. A ferramenta não envia nem armazena a mensagem: a própria mulher decide se e quando deseja encaminhá-la. Em situações de emergência, porém, a orientação é recorrer aos canais oficiais de atendimento e denúncia. Em caso de risco imediato, a recomendação é acionar o 190. Para orientação e denúncias, está disponível o Ligue 180.
Os números ajudam a dimensionar a violência contra as mulheres no país. Quase 29 milhões de brasileiras foram vítimas de violência doméstica ou familiar em um período de 12 meses, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero. Já a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher aponta que apenas 4% das brasileiras declararam espontaneamente ter sofrido esse tipo de violência no ano anterior.
No Maranhão, foram registrados 16 feminicídios entre janeiro e maio de 2026, contra 24 no mesmo período de 2025, uma redução de 33,3%. Em maio, foram cinco casos, contra nove no mesmo mês do ano anterior, queda de 44,4%.
Criada em 2019 pela ativista social Kássia Juliana Costa, a Casa das Pretas atua no Coroadinho com ações voltadas ao fortalecimento e à emancipação de mulheres, crianças e juventudes periféricas em situação de vulnerabilidade. O espaço integra iniciativas como o Tambor de Crioula Filhas de São Benedito, Tambor de Crioula Mirim, Cine Coroadinho, Pretoteca, Cozinha Solidária Ancestral, Inclusão Produtiva e Laboratório Antirracista.
A plataforma foi desenvolvida por Diego Amaral, estudante do 4º semestre de Segurança da Informação da Uniasselvi, como projeto de extensão acadêmica. A construção utilizou HTML e ferramentas de inteligência artificial, com foco em uma navegação simples e acessível.
A proposta é que a ferramenta funcione como uma ponte entre informação, comunidade e rede de proteção, fortalecendo o acesso das mulheres do Coroadinho a conhecimento e orientação. A mensagem que conduz a iniciativa é direta: nenhuma mulher enfrenta a violência sozinha. A plataforma está disponível em casadaspretas.netlify.app.
