Orleans Brandão vê parte da base na sua região migrar para Eduardo Braide

Políticos que apoiaram Brandão ao governo, muitos a pedido de Flávio Dino, hoje declaram ou sinalizam apoio ao prefeito de São Luís. A interferência nas eleições municipais cobra preço alto.

A pré-candidatura ao governo do Maranhão de Orleans Brandão enfrenta um paradoxo constrangedor: é justamente na região que deveria ser seu quintal eleitoral que as baixas mais doem. Municípios que deram votos expressivos à candidatura de seu tio, o então candidato ao governo apoiado por Flávio Dino, assistem agora a uma debandada silenciosa, mas crescente, em direção ao prefeito de São Luís, Eduardo Braide.

A lista de dissidências revela um mapa político em reconfiguração, e os motivos se repetem: ingratidão, interferência nas eleições municipais e a percepção de que o governo Brandão não tem lealdade com quem o apoiou.

Passagem Franca: o vídeo que doeu
O sinal mais emblemático veio de Passagem Franca. O ex-prefeito Gordinho e seu filho Raul, que obteve votação expressiva na última disputa pela prefeitura, gravaram vídeo ao lado de Eduardo Braide, anunciando apoio formal. Para Orleans, perder um nome com esse enraizamento popular na própria região equivale a uma derrota antes do primeiro comício.

Sucupira do Riachão: 90% dos votos, 0% de retorno.
O prefeito Valter foi além das entrelinhas. Em vídeo, lembrou publicamente que entregou mais de 90% dos votos do município a Brandão na eleição para o governo e que, em troca, só colheu ingratidão. O recado foi dado. A tendência, segundo interlocutores locais, é de que Walter também embarque na candidatura de Braide.

São Domingos do Azeitão: mais um que abandonou o barco.
O prefeito Júnior do Posto foi um dos entusiastas mais fervorosos de Brandão durante a campanha. Hoje, já declarou apoio a Braide, levando consigo o peso político de ser aliado do deputado federal Márcio Jerry, o que dá à sua movimentação uma dimensão que vai além do municipal.

Benedito Leite:
Em Benedito Leite, o ex-prefeito Ramon é mais um nome que abandona a órbita de Orleans Brandão e declara apoio a Eduardo Braide. Ramon também integra o campo político do deputado federal Márcio Jerry.

Barão de Grajaú: a cidade do aliado número 1 vai toda para o adversário.
Barão de Grajaú é o município do ex-prefeito Gledson, considerado o aliado número 1 de Brandão e por ele apoiado à prefeitura. Mas o cenário eleitoral da cidade aponta para outro caminho: tanto o grupo de Seu Araújo quanto o grupo de Claudimê devem embarcar com Braide, deixando Gledson, e por extensão Orleans, sem o domínio que se esperava da praça.

Mirador: resistência vem de dentro
A prefeita Domingas é aliada declarada de Brandão, mas enfrenta turbulências internas. Parte relevante de seu próprio grupo resiste a votar em Orleans em razão de uma questão delicada: o principal adversário político de Domingas no município é Zé Renato, nome que tem ligações estreitas com o próprio Orleans Brandão, com quem se presume, inclusive, manter vínculos além da política.

Buriti Bravo: vereadores não seguem o ex-prefeito.
O ex-prefeito Cid Costa mantém, por ora, seu apoio a Orleans, mas sua bancada de vereadores não o acompanha. A razão é direta: Orleans participou ativamente da campanha da prefeita Luciana, adversária direta de Cid, na última eleição municipal. Para os vereadores, apoiar Orleans seria trair a própria história.

São João dos Patos: resistência no coração da base.
Na cidade, o presidente da Câmara Municipal, Fernandinho, já formalizou apoio a Braide. Dentro do grupo do prefeito Alexandre, a resistência ao nome de Orleans é forte, alimentada pela percepção de que o município vem sendo preterido pelo governo em favor de Colinas, cidade que recebe atenção e investimentos desproporcionais.

São Francisco do Maranhão: o governo tem seu favorito, e não é o prefeito.
Em São Francisco do Maranhão, a leitura local é de que o governo Brandão privilegia Gledson Resende nas articulações políticas da região. Isso incomoda diretamente a base do prefeito, liderada por Adelbarto, que nunca foi tratado como prioridade pelo governo. A tendência, também aqui, aponta para Braide.

A conta que não fecha

O padrão que emerge desse mosaico é claro: a interferência do governo e de Orleans Brandão nas eleições municipais, escolhendo lados, apoiando adversários de aliados e privilegiando alguns em detrimento de outros, gerou um passivo político que agora se apresenta na forma de debandadas.

Pré-candidaturas se constroem sobre lealdades. E, quando essas lealdades começam a rachar justamente onde deveriam ser mais sólidas, o sinal de alerta não pode ser ignorado. Orleans Brandão ainda não lançou oficialmente sua candidatura, mas já contabiliza derrotas no que deveria ser seu território mais seguro.

A colheita, por ora, é amarga.

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